A Casa Pita

Também conhecida como a Casa dos Pitas está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1977, foi construída junto ao largo central da vila entre 1649 e 1652, em edifícios pré existentes e propriedades pertencentes ao Morgadio dos Pitas. A Casa encontra-se desde a sua edificação na posse da mesma família e continua sendo um dos edifícios mais distintivos do património da Vila.

Este palácio urbano destaca-se pela singularidade da sua frontaria que apresenta um curioso modelo manuelino tardio nada comum na época da sua construção. Este modelo conjugado ocasionalmente com o barroco, é detetável em pormenores das pedras de armas e sobretudo na fachada posterior e fontanário do jardim.

À direita da casa, do lado oeste do edifício, foi edificada posteriormente no século XIX uma torre de planta retangular em quatro pisos, de tipologia semelhante à das torres de menagem medievais, encimada por um mirante. Integrada na zona privada da casa, foi construída no século XVIII uma pequena capela, com retábulo de talha e imagem de Nossa Senhora das Dores que, juntamente com os ricos estuques presentes em algumas das salas da área privada da casa, são já de estilo neoclássico.

De notar ainda os exemplos dos elegantes arcos canopiais patentes nas janelas da frente da casa, identificados como uma das duas principais demonstrações da utilização deste tipo de desenho, juntamente com o portal do Convento de Jesus, em Setúbal.

A zona traseira do edifício apresenta um amplo pátio embelezado por um fontanário e um espelho d’água, responsáveis pelo relaxante som de água corrente, um dos ex-libris da casa. Este pátio foi edificado em 1652 e serve atualmente de área de lazer e de ligação do edifício aos jardins e à zona da piscina.

Em terrenos que antigamente pertenciam à Casa Pita, encontra-se a bonita Capela da Nossa Senhora da Ajuda. Na berma da estrada nacional para Cerveira, passando a ponte sobre o rio Coura, surge esta pequena capela da Casa Pita, que era e ainda é objeto de devoção das gentes de Caminha e da Galiza.

Aquando da travessia do Rio Minho feita em frágeis embarcações e com condições perigosas, quem sobrevivesse à provação da viagem dirigia-se à Capela da Senhora da Ajuda com orações de agradecimento pela sua proteção. Ainda hoje essa tradição se mantêm com os viajantes e peregrinos que por ela passam.

Toda a casa está repleta de memórias do passado, tornando-se um desafio para os hóspedes descobri-las e encantarem-se com a sua história.