Caminha a Bela Marinheira

A vila mais a norte do litoral do Alto-Minho, no distrito de Viana do Castelo, é sede do município de Caminha.

Rodeada a nordeste pelo município de Vila Nova de Cerveira, a sudeste por Ponte de Lima, a sul por Viana do Castelo e a norte pela região espanhola da Galiza, Caminha tem uma longa linha de costa de praias de areia branca banhadas pelo Oceano Atlântico a Oeste.

O seu ponto mais alto encontra-se no planalto da Serra de Arga, a aproximadamente 800 metros de altitude, próximo do ponto mais elevado desta serra, o Alto do Espinheiro (825m).

A foz do rio Minho situa-se em Caminha, fazendo este rio parte integrante da paisagem e da história da vila e das suas gentes.

Antigo porto entre os rios Coura e Minho

Acredita-se que a primitiva ocupação humana do seu sítio remonta à pré-história.

À época da Invasão romana da Península Ibérica, foi dotada de uma fortificação, cujos alicerces datam dos séculos IV e V de que há registos suevos.

Em 1060, Fernando I de Leão, o Magno, designa Caminha como sede de um condado que denominou "Caput Mini" e cerca de meio século depois, Edereci localiza "um forte castelo em ilha a montante da foz do Minho" e outro "acima do precedente em terra firme e eminente".

A vila de Caminha desenvolveu-se com base na pesca e no comércio fluvial e marítimo, a partir do século XII, quando se reduziu a pirataria no litoral, ganhando importância como baluarte defensivo da fronteira noroeste de Portugal.

No contexto das campanhas contra Castela, o seu povoamento e defesa foram incentivados sob os reinados de D. Afonso III (1248-1279), de D. Dinis (1279-1325) e de D. João I (1385-1433), devido ao valor estratégico que esta povoação lindeira representava para o reino.

Pela situação geográfica, Caminha era um ponto avançado na estratégia militar portuguesa na luta contra castelhanos e leoneses. D. Dinis mandou aumentar as muralhas e construir mais duas torres, elevando para treze o seu número (dez torres e três portas - a do Sol, a Nova e do Marquês).

A 24 de julho de 1284, outorgou aos habitantes do concelho a primeira Carta Foral.

Caminha faz parte do Caminho Português da Costa para Santiago de Compostela, sendo ponto de passagem para milhares de peregrinos.

Do extenso património monumental de Caminha destaca-se:

  • Muralhas seiscentistas de Caminha

  • Salão Nobre da Antiga Câmara Municipal de Caminha

  • As "Oito Casas" da rua Direita, conjunto de casas manuelinas e renascentistas (Caminha)

  • Museu Municipal

  • Painéis de azulejos novecentistas da Estação dos Caminhos de Ferro de Caminha

  • Igreja de Santa Clara (Caminha)

  • Estação arqueológica do Coto da Pena (Vilarelho)

  • Capela e Cruzeiro de São Bento (Seixas)

  • Gravuras rúnicas da Lage das Fogaças (Lanhelas)

  • Gravuras rupestres da Chã da Vermelha (Azevedo)

O Concelho de Caminha é conhecido pelo rico e variado património natural

Este abrange as paisagens montanhosas da Serra de Arga, os juncais e áreas protegidas do estuário do rio Minho e sua confluência com o rio Coura, a Costa Atlântica com algumas das praias mais bonitas do país, com os seus pinhais e a cintura dunar que os protege. Também os miradouros são vários e merecem todos uma visita.

Caminha. Cultura, Gastronomia e Diversão

Muitos são os restaurantes de excelência que traduzem as receitas e sabores da rica gastronomia do Concelho.

O rio, o mar e a montanha dão a matéria prima e desta vivência nascem pratos icónicos como o bacalhau à Minhota, o cabrito à moda da Serra de Arga, a lampreia na sua época, o robalo da Ínsua, o sável e a solha e o Arroz de Lavagante, as carnes Barrosãs, as costelinhas e os enchidos…

E a doçaria não fica atrás. Desde o famoso leite creme, o arroz doce, aos Caminhenses, Sidónios e Mokas. a oferta é verdadeiramente impressionante.

E quando o Verão chega, Caminha enche-se de eventos especiais que já são parte da tradição.

O festival Internacional de Cervejeiras Artesanais e Mestres Cervejeiros Caminha ArtBeerFest, a vibrante Feira Medieval anual que recria uma Caminha de séculos passados, ou o famoso festival Vilar de Mouros, o festival de música mais antigo do país, são eventos que atraem muitos milhares de visitantes e que garantem animação, ambiente e boa disposição a quem nos visita.

A tradição e a religiosidade típicas do concelho trazem também momentos especiais que bem refletem a fé, a cultura e a tradição das gentes de Caminha.

Datas essenciais como o Corpo de Deus, em que as ruas da vila se enchem de tapetes de flores confecionados pelos seus moradores (sendo que anualmente também a Casa Pita contribui com o seu tapete, feito com a ajuda de bons amigos da casa), ou a Semana Santa da Páscoa com várias procissões e momentos religiosos, marcam os pontos altos do calendário religioso.

Mas são muitas as festas e procissões que acontecem ao longo do ano. As festas em Honra a Santa Rita de Cássia, Nossa Sra. da Bonança, São Bento, a Festa do Sr. da Saúde e Santa Rita de Cássia, Festa das Solhas e a Romaria de São João D'Arga - esta ultima uma das expressões mais verdadeiras da cultura popular minhota - são momentos especiais para ver e viver a tradição do Concelho de Caminha.